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The Soft Animal of the Day
Hella Gerlach + Cristina Stolhe
[05/07/24 - 27/07/24]

A exposição dupla The Soft Animal of the Day, de Cristina Stolhe e Hella Gerlach, coreográfa o conjunto de pistas subtis que nos permitem compreender que vivemos em ecossistemas emocionais e físicos sensíveis. Somos seres sem exoesqueletos. Num determinado dia, podemos estar totalmente expostos ou muito escondidos, nus ou vestidos, refinados ou rudes. Esse espectro de texturas de sensações pode ser percorrido momento a momento e o trabalho desses artistas acompanha essas trajetórias. Acima de tudo, nas palavras de Mary Oliver “Tu não precisas ser bom. Tu não precisas andar de joelhos por cem milhas pelo deserto arrependendo-te. Basta deixares que o animal macio do teu corpo ame o que ama”. Em equilíbrio absurdo, desejo bruto ou felicidade frágil, essas fotografias e esculturas funcionam como talismãs de sentimento.

“Eu tiro fotos hoje, amanhã não sei”

O trabalho de Cristina Stolhe analisa a experiência do quotidiano através da ferramenta fotográfica.

Utilizando recursos analógicos, digitais e principalmente a sua câmera móvel, o seu trabalho explora a essência crua da vida enquanto cria um jogo “mais do que aparenta”, infundindo imagens com emoções que podem não parecer aparentes. As cenas de Stolhe suscitam uma sensação de nostalgia, um sentimento familiar, mas expõem a intimidade do momento através de lentes de voyeur, tentando valorizar o instante e torná-lo eterno. De certa forma, convida-nos a considerar como as nossas experiências e memórias individuais moldam as nossas vidas e identidades. Porém, o ato de fotografar nada mais é do que um impulso, uma necessidade expressa naquilo que entendemos por fotografia, traduzida num álbum infinito onde o artista também avalia o que é a fotografia, independentemente do meio. Em 2018 a editora Terranova lançou o seu primeiro livro Random Pictures Book, apresentado como uma ode à fotografia móvel, no qual explora o consumo excessivo de imagens na atualidade.

O trabalho escultórico de Hella Gerlach está profundamente entrelaçado com a tapeçaria viva das relações humanas, aparelhos e ambientes. Suas esculturas, muitas vezes feitas em madeira, cerâmica e tecido, servem como conectores receptivos que impulsionam o movimento, mediando entre o corpo do espectador (ou usuário, já que às vezes pede para ser tocado), o objeto e o espaço expositivo. Eles oferecem uma ponte tátil que visa, de forma lúdica, abrir o corpo físico às mutações e ao diálogo. No centro da sua prática está um exame transformador do corpo, tanto físico como emocional, através da sua ligação vulnerável a outros corpos, à sociedade e à tecnologia. O trabalho atual de Gerlach aprofunda seu exame do sentido e do conceito de tato. Algumas dessas peças suspensas, corpos de lã feltrada, estão conectadas a um dispositivo senso-motor que as faz vibrar, tremer ou ter espasmos. Tal como os sistemas nervosos peludos e vulneráveis, estes corpos envolvem-se numa investigação orientada para o processo de movimento, toque e brincadeira. Este novo conjunto de objetos está atualmente se transformando em um laboratório para esculturas interativas, que cresce com os humanos e seus ambientes.