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Artissima 26
Gabriel Ribeiro
[30/10/26 - 01/11/26]

Foco Galeria Artissima 26

Sem título II, 2026

Impressão solar sobre espuma de poliuretano, moldura de aço inoxidável

30 × 40 × 10 cm

Foco Galeria Artissima 26

Uretra, 2025

Aço inoxidável, vidro soprado, massa epóxi, metal líquido

193 x 20 x 7 cm

Foco Galeria Artissima 26

Sun-maid II, 2025

Solar print on polyurethane foam, cable, polycarbonate

120x10x202 cm

Foco Galeria Artissima 26

Cornucópia, 2025

Desidratador industrial, aço inoxidável, alumínio fundido, uvas

125 x 64 x 46,5 cm

Futuros Presentes

Curadoria de Léon Kruijswijk e Joel Valabrega

Para a próxima edição da Artissima, a Galeria Foco propõe, na secção com curadoria Futuros Presentes, um projeto especial do artista brasileiro Gabriel Ribeiro (1990, Rio de Janeiro). O stand funcionará como uma espécie de laboratório em funcionamento: um espaço onde os sistemas materiais são construídos para serem tensionados, onde os objetos são montados para serem deformados e onde a distância entre uma experiência controlada e um ato de imaginação se revela quase nula.

Parte das obras expostas provém de Reservatório (Galeria Foco, Lisboa, 2025), a sua última exposição individual, que se centrou na circulação da água, em recipientes e no momento em que um recipiente perde a sua capacidade de armazenamento. Formas de vidro são entrelaçadas em aço, âmbar e amarelo, translúcidas, biomórficas, oscilando entre o anatómico e o infraestrutural. As impressões fotográficas sem câmara revestem as paredes: imagens criadas sem aparelhos óticos, colocando a matéria diretamente sobre superfícies fotossensíveis e entregando o resultado ao sol, ao tempo e às intempéries.

No centro da cabine, um desidratador industrial funciona continuamente, processando a fruta em algo mais denso, mais pequeno e concentrado. Serve também de pedestal para uma escultura de cornucópia, símbolo de abundância que também aparece impresso nas impressões solares feitas com esponja. Este dispositivo técnico torna-se, assim, uma ode à metamorfose, à forma como a perda pode gerar uma nova forma de integridade, em vez de simplesmente diminuir a original.

Em toda a cabine, tipos de objetos familiares (o tubo, o recipiente, a garrafa) são desmontados e recombinados num sistema que parece funcional, mas opera de forma especulativa, evocando a circulação sem a completar, prometendo contenção e depois negando-a silenciosamente. A própria cabine também é tratada como material. As suas paredes são revestidas de espuma, uma substância que oscila entre a interioridade e a exposição, entre o arquitetónico e o íntimo, entre a infraestrutura e a pele. Nos edifícios, regula o calor, sustenta o corpo durante o sono e sela as cavidades; aqui, torna visíveis essas cavidades, invertendo a estrutura da cabine. O que geralmente se esconde por detrás de superfícies acabadas é trazido à tona (bruto, suave e celular), ligando a lógica industrial da construção com a lógica biológica das obras que contém. O recipiente e o conteúdo passam a ser a mesma coisa.

Em última análise, a protociência de Ribeiro não procura substituir as disciplinas estabelecidas, mas antes habitar o espaço entre elas: entre a arte e a biologia, entre a infraestrutura e a célula, entre a precisão e o não intencional, entre a matéria e o significado. O stand na Artissima propõe este espaço como um convite a um olhar atento: não em busca de respostas fixas, mas das múltiplas e sobrepostas possibilidades que emergem quando a certeza é tratada não como um objetivo, mas como uma restrição a ser desfeita.

Neste sentido, o projeto dialoga com o tema da Artissima 2026, que abraça a imaginação como uma força dinâmica e transformadora: uma força que transita entre disciplinas, destabiliza estruturas fixas e abre espaço a formas alternativas de conhecimento e perceção.